quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Bom dia,

Novamente uma postagem de uma amiga de um outro blog soporhojevoucuidardemim me despertou e tive vontade de passar por aqui para falar sobre mim.

Hoje penso muito na nossa primeira separação que foi em 2013, ele estava limpo das drogas há quase 02 anos, para mim foi muito difícil aceitar quando optou pela separação  pois sempre concentrei minhas forças na recuperação dele e acreditava que quando ele estivesse finalmente viveríamos aquele tão esperado final feliz, envelheceríamos juntos e seriamos felizes para sempre (essa era a ideia que passava pela minha cabeça);  mas quando ele ficou limpo das drogas pude ver os defeitos de caráter dele aflorar, confesso que foram os 02 anos mais difíceis que passei ao lado dele até então; as palavras já não eram carinhosas, faltava paciência da parte dele (nosso filho tinha acabado de nascer), tentamos de tudo  (pelo menos eu) para levar o casamento adiante mais ele resolveu sair de casa.
Foram 08 meses de muita humilhação da minha parte implorando para que ele voltasse, eu ouvi várias vezes da parte dele que já não havia espaço no seu coração para mim; eu me sentia traída e usada, com o orgulho ferido (não saber perder) me perguntava todos os dias: como um homem o qual eu dediquei todas as minhas forças para sua recuperação depois de ter conseguido me abandonou?
Fizemos de tudo para mantermos um bom relacionamento para criação do nosso filho, mas só pensava em retornar o nosso casamento... até que ele recaiu nas drogas e voltou para casa.

Ele já recaído eu passei a estudar tudo sobre drogas e a codependência, conheci os grupos de ajudas NARANON, AMOR EXIGENTE... Novamente me concentrei na recuperação dele tentando salvar o que eu "inconscientemente" havia ajudada a destruir.

Desde seu retorno houve várias outras separações a grande maioria partiu dele (das vezes que não partiu dele ele contribuiu com atitudes ruins que fizeram com que eu pedisse a separação por não suportar a pressão).

A última separação eu descobri a traição (pela primeira vez perdi o medo e investiguei o motivo da saída dele de casa).

Nesse tempo eu já conhecia o grupo de MADA (Mulheres que amam demais), lendo as literaturas, e livros voltados para o assunto eu identifiquei que além de uma codependente eu também era uma MADA e passei a concentrar minhas forças na mina recuperação com o objetivo de me libertar desse ciclo que "destrói" a mim e a ele.

Apesar de conhecer e reconhecer depois de tanto tempo a minha doença e focar na minha recuperação, tive uma recaída quando aceitei ele de volta depois de 03 meses separados pela primeira vez ele chorou e implorou por meses para nossa volta (manipulação/doença).

Hoje estou aprendendo focar e cuidar da minha recuperação com ou sem ele...EU SÓ QUERO SER FELIZ, quero minha vida de volta.


O primeiro passo em admitir que eu perdi o domínio sobre a minha vida foi o mais difícil e também o mais importante para que eu pudesse iniciar meu processo de recuperação.

Hoje posso dizer que sou uma MADA EM RECUPERAÇÃO.


Se você se identifica e vive uma relação destrutiva, procure ajude hoje mesmo visite um grupo do MADA mais perto da sua casa.


"Eu seguro a minha mão na sua,
E uno o meu coração ao seu.
Para que juntas possamos fazer,
Tudo aquilo que não posso fazer sozinha"

Mulheres que amam demais

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Juntos novamente.


Oi!!!

Há tempos que tento tomar coragem para passar por aqui e dizer como estão as coisas, algumas mudaram... recaí, dei uma nova oportunidade e resolvi "passar por cima" (estou tentando) dos acontecimentos e sim VOLTEI PARA ELE.

No começo eu até estava explodindo de felicidades com o carinho e a atenção que ele trouxe para mim e o nosso filho... e confiando que tudo seria diferente.
Ele estava muito bem e em recuperação; mas infelizmente nos últimos dias ele teve uma recaída e novamente me vejo “no olho do furacão”.

Li um texto recentemente (destaquei em vermelho alguns trechos que me chamaram bastante atenção...e que me fez refletir na enorme dificuldade que eu tenho de colocar um ponto final em diversas áreas da minha vida...

Tenho buscado a minha recuperação e acredito com todas as minhas forças que o meu Poder Superior está cuidado de mim e que o fato de ter dado um passo para trás servirá de impulso para grande salto que darei para frente.

Espero que esse texto, contribua de alguma forma na recuperação de tantas outras pessoas que assim como eu continuam amando um dependente químico.




Bjs queridas!!!

Amo vocês.

"Temos muita dificuldade em colocar um ponto final e de “partir para outra”, nos vários setores de nossa vida, como se fugíssemos à responsabilidade de ter de arcar com a dor advinda com esse despedir-se, como se aquilo que está feito, feito está, o que é uma inverdade, pois, muitas vezes, a permanência traz uma segurança ilusória. E assim vamos pagando um preço alto por nossa covardia e fingimento para com ninguém mais do que nós mesmos.
Os caminhos que temos à nossa frente são entremeados por bifurcações e armadilhas e, sem que percebamos, somos muitas vezes levados a optar por alternativas às quais é mais fácil nos acomodarmos. Acomodar-se, porém, pode também significar passividade e conformismo, sendo que sentimentos estanques não nos impelem às mudanças necessárias ao nosso desenvolvimento como pessoas. Conformar-se demais pode nos custar a distância de uma outra verdade - com a qual nos identificaríamos melhor -, a desonestidade com nossas vontades e um crescente arrependimento, nocivo tanto ao nosso bem estar quanto à harmonia com quem está ao nosso lado.
É preciso dizer adeus ao amor que já deixou de acelerar nossos corações, que já não sorri quando nos vê, que não nos dá as mãos, pois não caminha ao nosso lado, que não nos pergunta se dormimos bem, se almoçamos, ou o porquê das lágrimas suspensas em nossos olhares distantes. É necessário despedir-se do amor que trai e fere, que já nem é amor, nem amizade, nem troca ou cumplicidade, tampouco conforto e necessidade.
Diga adeus à amizade que já deixou de fazer falta, que não tem tempo de ouvir e animar, que já não aparece em busca de conselhos, nem quer saber de sua vida. É preciso despedir-se de amizades que não acrescentam, que nos diminuem, que nos trocam facilmente, que usam nossos segredos contra nós, puxam nossos tapetes, esgotam nossas energias.
É preciso dizer adeus ao serviço que nos empobrece, que alimenta nossa miséria emocional, que nos impede de sorrir, que não nos oferece oportunidades, que nos assedia moralmente, não nos ouve. É necessário despedir-se dos chefes desumanos, dos colegas de trabalho hipócritas, das jornadas extenuantes, da mesquinharia com o cafezinho, dos gritos e erros destacados, da humilhação velada, da estagnação que anula nossas capacidades, da cordialidade venenosa na mesa ao lado.
Digamos adeus ao lar que já não nos comporta em tudo o que somos e queremos, que extrapola os nossos limites, que cobra por nos amar, tolhe nosso caminhar e não mais entende o que falamos. É preciso despedir-se do quarto sem privacidade, da TV sempre ligada, da roupa emprestada da irmã, da cópia das chaves da porta, da consulta ininterrupta ao relógio nas noites de diversão.
É preciso dizer adeus à esperança de que o outro vá mudar, à espera vã do telefonema, da resposta que nunca chega, do convite que nunca é ouvido, do “eu te amo” nunca dito, do abraço não correspondido, do olhar que não penetra fundo, do reconhecimento nunca recebido. É necessário despedir-se de quem nos fere, no corpo e na alma, de quem nos incomoda, dos xingamentos, das noites insones, da violência alheia, da ânsia pelo fim do expediente, pelo fim do dia.
Diga adeus ao não existir, ao sufocamento dos desejos, à raiva contida, às ofensas engolidas, aos desvios de caminhos, aos projetos não realizados, aos sonhos que não acordam, à morte em vida. É preciso despedir-se das roupas que já não nos servem, dos CDs que não ouvimos, das cartas que já nem lemos, das lembranças que nos ferem, das fotos envelhecidas no tempo, da sombra da infidelidade, das obrigações que criamos e não nos levam a nada.
Não nos demoremos em lugares onde não nos sintamos vivos, amados, onde não respiremos direito, onde não possamos ser verdadeiros. O desapego é difícil, pois requer o enfrentamento corajoso do que fizemos de nossas vidas, do que somos e sentimos, e encarar as escolhas erradas traz dor e culpa. Além disso, quando rompemos com o que parece estabelecido em nossa jornada, mexemos também com as vidas que caminham conosco e teremos que trilhar uma árdua batalha, até que sejamos compreendidos, ou não. O importante é que estaremos agindo em busca de nossa felicidade, partindo ao encontro de nosso lugar no mundo e na vida de alguém. Ninguém pode ser condenado por tentar ser feliz, quando o fizer de forma ética e sincera, sem desrespeitar a si mesmo nem a ninguém mais. Quem nos ama de verdade acabará entendendo a necessidade de nossa atitude, torcendo pelo nosso sucesso, onde e com quem estivermos.
Nossa sobrevivência depende do adeus às ilusões, da coragem para iniciarmos as despedidas necessárias, tendo a consciência de que as infinitas possibilidades que se descortinarão a partir de então compensarão as perdas pelo caminho. Ninguém é obrigado a aceitar com resignação e conformismo aquilo que pode - e deve - mudar. Todos, afinal, temos o direito de viver e de respirar com alívio, com a certeza de que o que deixamos para trás ficou exatamente onde deveria: lá atrás, bem distante, não tendo mais poder algum sobre nossas vidas e nossa busca pela felicidade

(ELEONORA DUSE)